quinta-feira, 13 de setembro de 2012

otávio paz | a imagem

“A palavra imagem possui, como todos os vocábulos, diversas significações. Por exemplo: vulto, representação, como quando falamos de uma imagem ou escultura de Apolo e da Virgem. Ou figura real ou irreal que evocamos ou produzimos com a imaginação” (PAZ, 1982, p. 37).
“Cada imagem – ou cada poema composto de imagem – contém muitos significados contrários ou díspares, aos quais abarca ou reconcilia sem supri-los” (PAZ, 1982, p. 38).
“A imagem resulta escandalosa porque desafia o principio da contradição: o pesado é o ligeiro” (PAZ, 1982, p. 38).
“[...] os poetas se obstinam em afirmar que a imagem revela o que é e não o que poderia ser” (PAZ, 1982, p. 39).
“Pensar é respirar (expansão e contração). Reter o alento, deter a circulação da ideia: produzir o vazio para que o ser aflore. Pensar é respirar porque pensamento e vida não são universos separados e sim vasos comunicantes: isto é aquilo” (PAZ, 1982, p. 42).
“[...] um esforço para alcançar algo que não pode ser alcançado realmente pelas palavras” (PAZ, 1982, p. 43).
“Qual pode ser o sentido da imagem, se vários e díspares significados lutam em seu interior?” (PAZ, 1982, p. 45).
“O sentido da imagem, [...] é a própria imagem: não se pode dizer com outras palavras, A imagem explica-se a si mesma. Nada, exceto ela, pode dizer o que quer dizer” (PAZ, 1982, p. 47).
PAZ, Otávio. O arco e a lira. Trad. Olga Savary. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982

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